Dá para criar um SaaS sem gastar nada?
Dá — e mais do que isso, hoje é o melhor momento da história para fazer isso. Ferramentas que antes custavam centenas de reais por mês (banco de dados gerenciado, autenticação, hospedagem escalável, envio de e-mail) têm planos gratuitos generosos o suficiente para validar uma ideia real, com usuários reais, antes de pagar um centavo.
O segredo não é "usar tudo de graça para sempre". É escolher uma stack onde o plano free cobre a fase de validação, e o upgrade só acontece quando o produto já está gerando receita.
Nunca pague por infraestrutura antes de ter o primeiro usuário. Deixe a ferramenta crescer junto com o seu SaaS — não na frente dele.
A stack gratuita para começar
Vercel — Hospedagem
Deploy de graça para projetos Next.js, React, Astro e afins. Deploy automático a cada push no GitHub, HTTPS incluso, domínio próprio grátis (subdomínio .vercel.app) e CDN global sem configuração.
Supabase — Banco de Dados & Auth
Postgres gerenciado, autenticação pronta (e-mail, Google, etc.), storage de arquivos e API automática — tudo no plano free, sem cartão de crédito.
GitHub — Código & CI/CD
Repositório privado ilimitado grátis. Conecta direto com Vercel: cada push já vira um deploy novo, sem servidor próprio.
Resend — Envio de E-mail
E-mails transacionais (confirmação de cadastro, recuperação de senha, notificações) com plano free mensal generoso e integração simples via API.
Stripe — Pagamentos
Não cobra mensalidade — só uma taxa por transação. Ou seja: só custa algo quando o SaaS já está faturando.
Shadcn/UI + Tailwind — Interface
Componentes prontos, open source, sem licença. Monta uma interface profissional sem pagar por template ou design system.
Supabase, Vercel e GitHub não pedem cartão de crédito no plano free. Stripe pede, mas só cobra em cima de vendas reais. Desconfie de qualquer "plano grátis" que peça cartão para começar — normalmente é um trial disfarçado.
Passo a passo: do zero ao primeiro deploy
Antes de abrir o editor, escreva em uma frase qual dor você resolve e para quem. SaaS que nasce da tecnologia ("quero usar IA") morre; SaaS que nasce da dor real ("donos de barbearia perdem tempo confirmando agenda no WhatsApp") sobrevive.
Crie o projeto com create-next-app, suba num repositório privado no GitHub. Next.js resolve frontend e backend (API routes) no mesmo projeto — sem precisar de servidor separado.
Importe o repositório na Vercel em poucos cliques. A partir daqui, todo push na branch principal já gera um deploy novo automaticamente, com URL própria para testar.
Crie um projeto gratuito no Supabase, modele as tabelas principais (usuários, planos, dados do produto) e conecte via variáveis de ambiente na Vercel. Em minutos você tem Postgres + API + autenticação prontos.
Cadastro, login e a funcionalidade principal — só isso. Nada de painel de admin bonito, relatórios ou automações ainda. O objetivo é ter algo testável pelo usuário real o quanto antes.
Coloque nas mãos de 5 a 10 pessoas do público-alvo. Só depois de ver uso real — e alguém disposto a pagar — conecte o Stripe para começar a cobrar.
A maioria dos SaaS que não saem do papel trava no passo 5, tentando deixar tudo perfeito antes de mostrar para alguém. Mostre cedo, feio e funcional — ajustes vêm depois, com feedback de quem paga.
Comparativo: o que cada plano free realmente oferece
Os planos free têm limites reais (banda, linhas de banco, e-mails). Para um SaaS em validação, com poucas dezenas ou centenas de usuários, eles raramente são atingidos. Monitore o painel de cada serviço mensalmente para não ser pego de surpresa.
Mitos comuns sobre criar um SaaS grátis
Vercel e Supabase rodam em infraestrutura de nível empresarial (AWS, GCP) por trás — você tem mais confiabilidade gerenciando menos, não o contrário.
Milhares de SaaS reais, incluindo produtos com receita de milhões de dólares, rodam sobre Supabase e Vercel. O plano é grátis; a infraestrutura por trás é a mesma dos planos pagos.
Na fase de validação, a distribuição mais eficiente é conversa direta com o público-alvo (grupos de WhatsApp, comunidades de nicho, cold outreach) — custo zero, feedback imediato.
Checklist antes de lançar a primeira versão
- Domínio — Um domínio próprio (R$ 40–R$ 60/ano) já passa mais credibilidade que um subdomínio
.vercel.app - Autenticação funcionando — Cadastro, login e recuperação de senha testados de ponta a ponta
- Um fluxo principal, sem atalhos quebrados — Melhor ter uma função impecável que cinco pela metade
- Analytics básico — Vercel Analytics ou Plausible (gratuito/baixo custo) para saber quem usa o quê
- Canal de feedback direto — WhatsApp, e-mail ou formulário simples para o usuário reportar problemas
- Página de preços clara — Mesmo que só com um plano, deixe explícito o que é grátis e o que será pago
Quando vale a pena começar a pagar
Nenhuma stack fica grátis para sempre — e não deveria. O ponto de virada é sempre o mesmo: quando o produto já gera receita ou uso suficiente para justificar o investimento. Sinais de que é hora de fazer upgrade:
- Base de usuários aproximando-se do limite do plano free (banco, storage ou e-mails)
- Primeiros clientes pagantes — o SaaS já se paga sozinho
- Necessidade de suporte prioritário ou SLA mais forte
- Volume de tráfego exigindo mais performance ou banda
Vercel para hospedar, Supabase para banco e autenticação, GitHub para versionar, Resend para e-mail e Stripe para cobrar só quando tiver venda. Com essa combinação, dá para ter um SaaS real no ar sem gastar nada — e só pagar quando o produto já estiver se sustentando.